Diálogos inesperados

Por Leandro Uchoas

Já reparou como as pessoas gostam de escrever conversas com taxistas na internet? Bom, chegou a minha vez. Aconteceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, há alguns meses. Um diálogo profundo sobre o mestre Jesus. Queria ter ido mais profundamente no debate, mas não domino suficientemente a língua inglesa. O diálogo começou quando eu falei que morava no Rio, e se deu mais ou menos assim:
Taxista: Já sei! A sua cidade é aquela que tem uma estátua de Jesus grandona nas montanhas!
Leandro: Sim, essa mesmo. Chama-se “Cristo Redentor” em português.
T: Vocês gostam muito de Jesus lá, não?!
L: Sim, bastante.
(ps. O Brasil foi o maior país católico do mundo, é o maior país evangélico-neopentecostal, e também o maior espírita-kardecista. O Brasil é profundamente cristão. Ele não estava errado em dizer aquilo)
T: Eu não entendo por que… Você gosta de Jesus?
L: Eu amo Jesus.
T: Mas por que? Ele já morreu. Não pode fazer nada por você.
L: O exemplo dele não morreu. Sua mensagem está viva, e é mais necessária do que nunca.
T: O que ele pode fazer para ajudar nos seus problemas?
L: Não tenho muitos problemas graves, graças a Deus. Estou mais preocupado com os problemas da humanidade. E tenho certeza de que as palavras e atitudes de Jesus podem servir como orientação.
T: Eu ouço muita gente falando de Jesus, amigo…
L: O Jesus de que eu gosto não é esse de que se fala nas igrejas.
T: Como assim? Existe outro Jesus? (risos)
L: Existe uma imagem falsa construída. O Jesus que eu amo deu tudo o que tinha para os pobres, e saiu caminhando pela terra batida, usando histórias populares para propagar uma mensagem de amor, de resistência a injustiças, de tolerância à diferença, de humildade e de perdão. Dormia nas estradas, como um mendigo. Mas não perdia uma festa. O Jesus que eu amo fazia poesia com os elementos banais do cotidiano, e não tinha nem uma pedra para repousar sua cabeça. Seus melhores amigos eram pescadores. Sua melhor amiga uma prostituta. O Jesus que eu amo era negro, como você.
T: Negro? Jesus era negro?
L: Tinha a pele escura como qualquer palestino.
T: Jesus era palestino? Não era judeu?
L: A cidade onde nasceu fica na Palestina atual. Judeus e palestinos pertencem à mesma etnia. As razões da confusão entre eles são políticas e econômicas, falsamente travestidas de religiosidade.
T: Man! Nas pinturas, Jesus tem até olho azul…
L: O olho fica azul a partir de uma tinta inventada, assim como várias tintas usadas para pintar suas ideias, suas ações, mudando completamente o conteúdo revolucionário de sua mensagem.
T: Chegamos.
L: Obrigado. Tenha uma excelente tarde.
T: Vá com Jesus, my friend.
Aqueles que acharem que eu estava tentando “converter” o taxiste, equivocam-se. Não defendo religião alguma, mas sim a mensagem viva do Cristo, que é eterna e maior farol ético-comportamental que a humanidade já tomou conhecimento. Meu objetivo era apenas aproveitar a oportunidade para fazê-lo conhecer o Jesus real, tantas vezes omitido por seus supostos seguidores.

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