Topa tudo por dinheiro

O gesto de Michel Temer ao final do programa de Sílvio Santos é mais do que emblemático. Ele entregou uma nota de R$ 50 ao apresentador, querendo fazer piada (ruim) com a natureza do programa. É simbólico. Até o pé da mesa do meu armário sabe que Temer só participou do programa de Sílvio porque as estatais, através da Secon, encheram os cofres do SBT de dinheiro. Com dinheiro público, Temer comprou sua participação na TV.

O que nem todos os brasileiros sabem é que, assim como as estatais não pertencem a Temer, o SBT não pertence a Sílvio Santos. Trata-se de uma concessão pública e, por contrato, essa participação não poderia ocorrer da forma como ocorreu. Por isso, amigos queridos, que há décadas falamos em democratização dos meios de comunicação. É o único caminho para contemplar a diversidade de vozes que existe na sociedade, e para se diluir a imensa concentração de poder midiático nas mãos de poucas famílias.

O que me conforta, no entanto, é saber que a estratégia vai adiantar muito pouco. As pessoas não são tão idiotas como se supõe. A Contrarreforma da Previdência, que é criminosa, não vai ganhar apoio da população apenas porque um presidente sem qualquer carisma foi falar juridiquês em um programa popular. Os deputados não vão comprar essa briga em ano eleitoral, e o texto não vai passar no Congresso.

Deixe uma resposta